O centroavante Luis Fabiano (foto) afirmou certa vez ser contra a tecnologia no futebol. Entende que a polêmica deixa um futebol mais alegre, mais emocionante. Concordo plenamente com o Fabuloso, mas esta avaliação valeria até o início da década de 90. Faz tempinho, hein?
Ocorre que o futebol mudou muito, dentro e fora de campo. Se dentro só se pensa em termos profissionais e comerciais, fora dele o torcedor não tem mais o futebol como esporte, onde se ganha e se perde. É apenas um jogo de futebol. Quando ganha tira sarro do rival, quando perde tem que agüentar as gozações. É um fenômeno social. Boa parte dos torcedores descarrega no esporte todas as suas frustrações pessoais e profissionais. Basta uma gozação para explodir em raiva e sai babando para agredir e até matar o torcedor rival.
Lembro que os torcedores diziam assim: tesão é ganhar do adversário aos 45 minutos com um gol impedido. Tudo era em tom de gozação, para cutucar esportivamente a frustração do adversário. Se acontece isso hoje, com certeza torcedores vão se matar de pau na saída do estádio, na verdade nem precisa disso, basta acabar o jogo, independente de resultado, tem aquela meia dúzia de imbecis briga por nada, apenas para descarregar as suas fraquezas e frustrações.
Por isso, até pelo aspecto social, a tecnologia vai colaborar. Ninguém pode contrariar uma imagem clara. Um dos fatores que gera a violência é a dúvida. Quem sabe tendo a tecnologia dando certeza do lance, o nível de violência diminua nos estádios.
Além disso, o futebol deixou de ser um simples esporte. Hoje se investe milhões por mês. É muito dinheiro em jogo. Num erro humano simples o juiz pode liquidar todo o investimento e o trabalho de um ano inteiro. Por isso, infelizmente, a tecnologia é necessária sim. O futebol de hoje, já não tem a mesma graça e sem a polêmica perderá um pouquinho mais, mas em nome da justiça até vale a pena.







