
Teixeira e Ronaldo são "unha e carne". O Brasil não merece a continuidade de tal mentalidade.
Ronaldo acredita que a fama de jogador consagrado pode ser suficiente para assumir o cargo mais importante do futebol brasileiro: não basta porque não tem qualificação para ser presidente da CBF e suas ligações políticas não o recomendam.
A CBF deixou de ser o cérebro do futebol brasileiro, se rendeu ao marketing e grandes faturamentos. Deixou de lado o trabalho da base na formação de jogadores. Por isso perdeu espaço e qualidade técnica. Atualmente não ostenta mais a condição de uma das três maiores potências do futebol mundial, posições ocupadas hoje por Espanha, Holanda e Alemanha, conforme o Ranking da FIFA. Na América do Sul o Brasil também está em baixa, nem em casa é o melhor: segundo o ranking, perde a liderança para o renovado Uruguai que se mantém em quarto no ranking. O Brasil já esteve em sexto, reagiu e ocupa hoje a quinta colocação.
Ronaldo representa tudo o que deve ser abominado no futebol brasileiro. Fruto de marketing pesado, Ronaldo construiu uma carreira em cima de muito faturamento e mídia. Nos últimos seis anos de carreira pouco esteve em campo, mas nunca deixou de faturar milhões. Baseio a minha rejeição em três fatos:
1º – Ronaldo quase chorou lamentando a saída de Ricardo Teixeira, o seu grande guru. O fenômeno representará a manutenção do atual grupo que afundou o futebol brasileiro em corrupção e mediocridade técnica.
2º – Hoje na função de empresário assumiu o papel de trabalhar a imagem de jogadores promissores. Não terá imparcialidade na função. Ser presidente da CBF e empresário não são posições éticas. Já dá para prever: só serão convocados jogadores que tiverem contrato com a sua empresa marqueteira. Ronaldo defende exclusivamente o seus interesses comerciais, jamais pensou em outra coisa.
3° – Para finalizar, não devemos ignorar de que Ronaldo enlouqueceu Paulo Henrique Ganso e também tentou minar Neymar com o intuito de convencê-los a jogar na Europa. Enquanto o país se mobilizava para que os dois ficassem, Ronaldo dizia que eles deveriam ir embora. Ganso esqueceu de jogar futebol, por só pensar em Europa e Neymar não seguiu o mesmo caminho porque o seu pai tomou conta da situação e colocou a joia no caminho certo. Ronaldo queria a transferência porque sua empresa faturaria milhões de euros com os dois em grandes times do Velho Mundo. Nem pensou no malefício ao futebol brasileiro.
Só estes três fatos recentes deixam claro o estrago que representa Ronaldo na presidência da CBF. Caso Ronaldo consiga o seu intuito as diretrizes do futebol brasileiro continuarão as mesmas. Teremos novos Ronaldo, Adriano e Ronaldinho Gaúcho, já os novos Zico, Sócrates, Falcão, Tostão e outros craques geniais ficarão cada vez mais distantes e esquecidos.