
A tal globalização deixou um legado muito preocupante no Brasil. As pessoas pensam apenas em profissionalização de qualidade, produtos sofisticados, marketing , etc… e tal. Esqueceram que acima de tudo existe o ser humano, a criatividade, capacidade de inovar. Talvez o brasileiro esteja perdendo aquilo que era o mais precioso em comparação aos ricos e qualificados europeus e norte-americanos: dom e poder de improvisar. Isso é visto de forma pejorativa, pois um profissional tem que seguir normas, regras e disciplina. Se na vida dos brasileiros já tem os seus reflexos, no futebol foi arrebatador. Pelé, Garrincha e outros craques que revelamos tinham como diferencial a capacidade de surpreender, os craques são assim. Na contramão desta característica brasileira, hoje produzimos jogadores sob medida para o mercado europeu. Desde adolescente, os clubes moldam a meninada já visando jogar na Europa. Atletas exemplares, altos, fortes, com uma técnica de boa qualidade e disciplinados taticamente. Tudo o que os europeus gostam. No passado, tivemos craques que ficaram pouco tempo na Europa em virtude desta indisciplina tática, além de não se comportarem dentro das regras. Lembro de Sócrates, Renato Gaúcho e mais alguns. Com toda esta carga de funções, o jogador brasileiro não desenvolveu mais a sua capacidade criativa, ficamos sem jogadores de meia-cancha, aqueles pensadores como Zico, Gerson, Rivelino, Ailton Lira (esse poucos lembram, era craque do Santos, estilo do Ganso). Sem este jogador, não há futebol-arte. A maior prova disso aconteceu semana passada. Na indicação dos 23 jogadores que concorrem à escolha do melhor do mundo, o Brasil tem 3 nomes: Julio Cesar, Daniel Carvalho e Maicon. Todos jogam na zaga. O último grande nome brasileiro, é sem dúvida Kaká. Os europeus o amam . Ele é a síntese que o europeu deseja: boa qualidade técnica, alto, forte, boa aparência., não fuma, não bebe, para os homens jovens um exemplo de atleta, os mais velhos, o genro dos sonhos, para as mulheres jovens um “gato”, para as mais velhas o filho que gostaria ter … um garoto-propaganda perfeito. Qual empresa não gostaria de vincular a sua marca a Kaká? É venda garantida. Kaká joga muito, excelente… tudo de bom,mas não é craque.