Poucos jogadores no futebol brasileiro têm a qualidade de bater na bola como Paulo Baier. Na bola parada é mestre, mas o futebol é mais do que isso. Aos 36 anos, Baier não tem mais vigor para atuar 90 minutos em todas as partidas do Brasileirão. Muitos jovens também não têm para encarar esta maratona. Colocá-lo no banco como opção não é desperdício, pelo contrário, é uma questão de preservação do talentoso meia.
A entrevista dada ontem por Madson, substituto de Baier, explica bem a situação. Paulo pode ficar no banco e entrar no decorrer da partida e decidir. No Brasil existe esta necessidade de entrar jogando, ser titular. Na semana passada, Petkovic despediu-se do futebol e do Flamengo. Aos 38 anos, poderia jogar até o final do ano, desde que aceitasse o banco de reservas e entrasse nos últimos 20 minutos de jogo. Luxemburgo nem tentou esta opção, pois sabe muito bem: Pet não aceitaria e conturbaria o ambiente.
Talvez tenha chegado a hora de Baier se conscientizar de viver um novo momento. Ser preservado para os grandes jogos e momentos decisivos das partidas. Como está acima da média, Baier sempre chama a atenção pelos seus lances diferenciados. O problema está na recomposição da meia-cancha quando o adversário ataca, não tem mais gás para isso.
Criticado, o técnico Adilson Batista chegou a escalar três volantes para compensar a defasagem causada por Baier e assim deixá-lo mais livre para criar e atacar. Não deu certo. Com Madson a transição da meia-cancha para o ataque será mais rápida, além de ser opção para puxar os contra-ataques em jogos fora de casa. A importância de Paulo Baier é inquestionável, mas hoje deve ser utilizada nos momentos necessários e decisivos.








