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Bruno tem direito de treinar na cadeia. E se for inocente?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Bruno

A justiça ainda não condenou Bruno. Até lá ele continua sendo um profissional da bola e não um mandante de crime.

A autorização que Bruno recebeu na segunda-feira para usar roupa apropriadas em seus trabalhos no Presídio Nelson Hungria, em Contagem, é apenas o início de uma dura luta  que poderá permitir ao goleiro um trabalho profissional.A intenção da sua defesa é para que Bruno seja acompanhado por um preparador físico e por um preparador de goleiros em suas atividades diárias.

Hoje o advogado do atleta do Flamengo, Robson Pinheiro Melo, terá uma reunião com o secretário do sistema prisional do estado para solicitar uma avaliação física de Bruno por profissionais qualificados no esporte.

PITACO DO MION – Não acho nenhum absurdo. Infelizmente no Brasil, o camarada é culpado e tem que provar a sua inocência. Nos países mais desenvolvidos, alguém acusado de crime sempre é inocente até a justiça condená-lo como culpado. Pelo que sei, as evidências contra Bruno são fortes, mas não existe uma prova cabal. Baseado nisso, reforço a minha tese e não vejo nenhum problema em treinar diariamente. E se for absolvido? Voltará a exercer a sua profissão. Assim vale para qualquer outro ser humano. Se o prisioneiro é pintor não vejo razão para não exercer a sua profissão dentro do presídio. A sociedade condena o suposto responsável pelo crime, a perder a liberdade, o livre arbítrio de ir e vir. Agora não significa que tenha que vegetar em uma cela. Após Bruno ser julgado, e culpado, aí sim outra fase da punição deverá ser imposta. Sem isso, ele continua sendo suspeito de ter cometido um crime.

A decadência do verdadeiro jornalismo: notícia e entretenimento não são a mesma coisa

terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Bruno

A exploração da desgraça na vida de Bruno em detrimento de fatos que sejam realmente notícia.

Final de ano é o momento propício para reflexão. Infelizmente grande parte da imprensa perdeu o senso jornalistico. O que é notícia e o que é entretenimento? São coisas bem diferentes e muitas vezes opostas. Cito como exemplo o “Caso Bruno”. Muito mais importante do que gravar imagens do goleiro de uniforme de presidiário, ou saber o que ele comeu e como ele está, é buscar fatos novos, inclusive que possam auxiliar a polícia a elucidar o caso. Hoje grande parte das matérias tem um tom sensacionalista e com aspecto de saciar a curiosidade do telespectador. Se Bruno for condenado, a imprensa maximiza o lado tenebroso do caso. Se por alguma razão, Bruno for isentado , aí o processo é inverso, parte da imprensa vai explorar a injustiça, o coitado que perdeu a sua carreira etc e tal. Não estou dizendo que não se divulgue isso, mas é muito pouco para o verdadeiro jornalismo
Já no início da divulgação do caso, havia um menor dizendo que Bruno não estava lá e um primo afirmando que o goleiro estava e inclusive assistiu a execução de Eliza. Na versão do menor, Bruno teria chegado de táxi, e duas horas depois, no mesmo táxi, foi para o aeroporto e retornou ao Rio. Nenhum jornalista teve a iniciativa de procurar nas empresas aéreas a confirmação de que Bruno teria viajado naquele dia. Caso tivesse embarcado, a versão do menor pegaria mais força. Caso contrário, a outra versão estaria mais perto da realidade. O que percebo que a imprensa está se tornando apenas porta-voz dos integrantes do caso, seja de defesa, policial ou promotoria. É uma posição muito comoda apenas reproduzir o que os outros falam. Jornalismo é buscar a verdade, apurar fatos, procurar esclarecer e noticiar a essência da notícia para a comunidade. Este compromisso parece que está relegado a segundo plano. Também devemos dar grande parte da responsabilidade à população que dá mais audiência às fofocas do que aos fatos relevantes. O fato de Bruno vestir o uniforme do presídio não muda o tema principal. Por que e como Eliza morreu? A imprensa, se trabalhar, pode ter um papel importante para que prevaleça a verdade, apenas a verdade, que é o que realmente interessa.