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Do auge à decadência do futebol brasileiro (IV)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Rivaldo

Rivaldo, o último craque brasileiro. Ele merecia a camisa 10 que já foi de Pelé e Zico.

Chegamos a 2002, Romário em final de carreira, surgiu Ronaldo. Caiu como uma luva. Um novo caminho para o marketing, muito dinheiro. É só lembrar do jogo contra a Alemanha, Rivaldo finaliza , o goleiro Oliver Khan dá o rebote e Ronaldo marca. No segundo gol, Rivaldo faz um corta-luz deixa Ronaldo há 3 metros do gol e marca. Ronaldo genial e Rivaldo… pouco citado. Aí eu pergunto: aquele menino que estava assistindo não viu Rivaldo, a mídia faz a lavagem cerebral, dizendo que o Ronaldo foi o máximo. Por isso hoje esta mesma mídia critica Dunga porque não tem um time brilhante. Agora eu pergunto: onde estão os nossos craques? Com desespero se apegam em Paulo Henrique Ganso, que realmente tem tudo para ser um dos maiores craques . Particularmente acredito que de 90 para cá, depois de Zidane e Messi, o próximo craque mundial será o Paulo Henrique.
Para mudarmos este panorama precisamos reciclar a nossa mídia em primeiro lugar. Vamos valorizar quem cria e faz jogadas. O goleador é o complemento. O nosso diferencial para os demais era o craque, o jogador com capacidade de desequilibrar. Enquanto a Espanha tem Fábregas, Xavi e Iniesta, a Argentina tem Messi, a Holanda tem Sneider e Robben , melhor futebol do mundo(?) depende do completo Kaká e o fabuloso Luis Fabiano. Estão vendo, depois do Fenômeno.. com F… o outro F, FABULOSO. Não ganhamos ohexa, esgotou a mina de ouro. Luis Fabiano o fabuloso, que aos 30 anos não marcou nem 300 gols na carreira, pior que Ronaldo que tem perto de 400. Vamos regredindo. Para quem acha que eu estou errado é só observar o Ronaldo no Corínthians. Se fosse tão fenomenal assim , mesmo acima do peso, mostraria um pouco da genialidade que todos pensavam que ele possuía.
O que constatamos que realmente é um jogador diferenciado, mas longe de comparativos com Pelé, Zico, Maradona e outros craques.  Uma vez vi a manchete de um jornal espanhol: Ronaldo veio de outro planeta. Depois de Pelé e Maradona, o fenômeno é o melhor.
Aí eu encerro perguntando. Então de onde vieram Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos,Dida, Rivelino, Gerson, Tostão,Dirceu Lopes, Sócrates, Falcão,Zico,Ailton Lira, Ademir da Guia, Neto, Rivaldo? E muitos outros, mas com certeza, mais craques que o Fenomeno e o Fabuloso. Ah… esqueci, tem o terceiro F. Hoje vivemos de Fantasia.

Estamos a pouco mais de 2 anos da Copa, não temos uma seleção pronta e as perspectivas não são boas. Pelo jeito novamente vamos viver de um atacante diferenciado. A bola da vez é Neymar. Jogando em casa, com tudo a favor podemos até ganhar a Copa, mas continuaremos jogando um futebol pobre. Não tenho a menor dúvida, o Brasil precisa de um remédio forte e amargo, talvez mais uma frustração em pleno Maracanã como ocorreu em 1950.  Só que isso, sabemos muito bem, é quase impossível porque não vai de encontro aos interesses comerciais. Assim como em 1994 e 2002, em 2014 poderemos conquistar um frustrante hexa, pelo menos para aqueles que realmente gostam de futebol.

Do auge à decadência do futebol brasileiro (I)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Roma´rio e Ronaldo

Romário ganhou uma Copa porque a geração do Brasil não tinha talentos. Veio Ronaldo que ofuscou Rivaldo, o último craque brasileiro na seleção. A era da valorização de quem marca gol, sepultou o nascimento de craques de criação na meia-cancha.

Na Copa de 2010 ficou clara a decadência do futebol brasileiro. Em 2011 no trabalho de “renovação” de Mano Menezes deparamos com a verdade pura e crua: com exceção de Dedé e Neymar, não temos muito mais a comemorar.Posso até adicionar Leandro Damião e Lucas, mas ainda precisam provar mais. Ganso? Ameaçou a decolar, mas até agora ficou só na aceleração. Vou aproveitar o final de ano, sem jogos para tentar fazer uma análise do que aconteceu nos últimos 30 anos.

Por que o futebol brasileiro perdeu o seu poder gerador de craques? É claro que muitas teorias existem e como todo brasileiro também tenho a minha. Acho que foi um processo longo, tanto que vou tentar fazer uma síntese, mas mesmo assim em quatro partes para que não fique cansativo.
Vamos voltar à Copa de 70, fomos tri e aquela seleção é o maior patrimônio do nosso futebol. Naquela época tínhamos craques comandados pelo gênio Pelé. A seleção era composta por meias brilhantes, Pelé, Tostão,Gerson e Rivelino,grandes maestros da bola. Na frente Jairzinho que foi o artilheiro do Brasil, um coadjuvante perante os craques, mas sem deixar ser brilhante. Depois, ficamos 24 anos sem ganhar uma Copa. Do nada surge um “peixe” chamado Romário que inaugurou uma nova era. Ao definir uma Copa, sem craques. Abriu uma vertente de marketing que renderia muito dinheiro. O artilheiro passou a ser o carro-chefe. Tínhamos uma seleção que corria e lutava para um camarada fazer o nome e se tornar um deus. Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho suaram gotas de sangue tudo para deixar Romário e o seu escudeiro Bebeto na cara do gol. O que deveria ser um momento transitório, por necessidade, acabou virando uma solução definitiva. Um herói e 10 coadjuvantes.
Aí foi criado um ufanismo em cima do artilheiro, alguém que usufruía do esforço dos outros. Bastava ficar ali na área e finalizar. Caiu para segundo plano o jogador que criava e levava a bola até a área do adversário. Para alicerçar esta nova era, quatro anos depois, surgiu Ronaldo, outro que deu continuidade à esta mentalidade. Em 98 não deu, mas em 2002 reforçou esta nova crendice. O genial Rivaldo foi colocado como um simples coadjuvante. Nesta Copa tínhamos um belo meio-de-campo, mas o marketing anulou. Quem coloca em dúvida a qualidade de um meio com Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. Brincadeira hein? Só que Ronaldo foi elevado como se fosse o verdadeiro herói, coisa que não podemos tirar de Romário em 94. A qualidade do nosso meio-de-campo de 2002 não tem comparação ao de 94. O resultado foi um só: a busca da fama e fortuna causou um desvio de percurso. Os novos jogadores com talento só desejavam jogar com a 9. Perdemos na formação de jogadores de armação. Todo mundo virou atacante, artilheiro. Mas como a bola vai chegar ao ataque se não possuímos mais armadores ? Amanhã, terça-feira dia 27 continuamos no próximo post.

A fonte de jovens talentos no Mengão secou. Por quê?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Marcelinho

No início da década de 90, o último craque revelado na Gávea: Marcelinho com 16 anos surgiu para subsituir Zico.

O Flamengo foi sem dúvida um dos maiores “celeiros” de todos os tempos do futebol brasileiro e mundial. Nos últimos anos, os dirigentes incompetentes e “mordidos” por beronhas que levam e trazem jogadores de clube para clube em busca de lucro rápido e fácil, o Fla optou em contratar muita tranqueira. Não tenho dúvida em afirmar que nos últimos 10 anos mais da metade dos jogadores contratados não tinha a menor qualidade em vestir a camisa rubro-negra.

Dá para acreditar que em pleno Rio de janeiro, o Flamengo não tem potencial de formar pelos menos cinco ou seis craques de bola entre 18 e 20 anos? Eu só acreditaria se o carioca não gostasse mais de futebol, samba e mulher bonita. Deve ter, mas estão bem escondidos, para não atrapalhar as negociatas de empresários e dirigentes.

Muitos jogadores passaram pela Gávea apenas para fazer currículo e utilizar a camisa flamenguista como trampolim para negociações ao exterior. O clube vive rodeado de dívidas e situações complicadas. Chegou o momento da torcida flamenguista tomar uma posição e exigir a revelação de jogadores formados em casa. Existe uma força contrária muito grande, até Zico não suportou as pressões e saiu. As torcidas organizadas só pensam em vitórias. Quando o time perde invadem a “Ninho do Urubu” e exigem resultados positivos. Deveriam fazer o mesmo para reivindicando que o Mengão volte a ser o time da raça e da meninada boa de bola. A tradição é mais importante e deve ser respeitada. Só a maior torcida do Brasil tem este poder, mas infelizmente não usa todo o seu potencial.

Dois craques é regalia. O Barça tem

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Messi e Xavi, craques que se completam.

Quando o Santos apresentou ao Brasil, Neymar e Ganso, passou a ser imbatível, aconteceram goleadas e passeios do Peixe. A equipe que possui um craque já desequilibra, dois então é pura regalia, algo sublime e raro. E aí dá para explicar a magia do Barcelona. Em entrevista à Rede Globo,  o técnico Tite, ao ser perguntado sobre quem é o maior craque do mundo, respondeu sem pensar muito: Xavi… em seguida com a intromissão do repórter que citou Messi, o técnico mudou…. é sim, o Messi.

As duas respostas estão corretas. Entendi Tite na hora. Em termos táticos, visão aguçada do técnico, Xavi é disparado o maior craque do futebol mundial, no aspecto técnico é Messi e assim os dois se completam.

Vou maximizar Xavi, porque é raro encontrar um jogador com a sua qualidade e talento. Aos 31 anos,  o maestro do Barcelona e da seleção espanhola, articula todas as jogadas. Quando a bola chega para Messi, o argentino está em condições de mostrar toda a sua genialidade. É Xavi quem comanda a difícil tarefa de carregar a bola até o ataque. Se ela não chegar, Messi não existe.

É tão fundamental e rara a capacidade de Xavi que no Brasil não temos ninguém com o mesmo talento e por isso o nosso futebol é só força e correria. Não foi por acaso que Tite respondeu Xavi, ele é o sonho de qualquer técnico do futebol brasileiro, inclusive de Mano Menezes.

Fúria cultua técnica, Brasil velocistas

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A verdade com ou sem dor

Não é por acaso a supremacia espanhola no futebol. O resultado colhido hoje é fruto de um trabalho de 20 anos. Os melhores jogadores do mundo são contratados para dar qualidade e colaborar para o desenvolvimento dos jogadores do país.

Já o Brasil se perdeu em buscar jogadores de ótima técnica e velozes. O gol contra a Argentina pela taça dos Superclássicos, é o sonho de todos os técnicos brasileiros. Em três toques, e com a alta velocidade, Lucas saiu na cara do goleiro e marcou. E o futebol? Que se dane, vale mesmo marcar gols. É o tal jogo por resultado, nada mais.

A seleção da Espanha tem em Xavi, do Barcelona, o seu cérebro. Aos 31 anos, os espanhóis já preparam o substituto com mesmo talento e capacidade. O Barça comprou junto ao Arsenal, Fábregas, 23 anos, volante formado no próprio Barça. Quando Xavi se despedir daqui três ou quatro anos, ele assumirá o comando da meia-cancha espanhola. Mesmo com Xavi, Fábregas já entrará aos poucos para pegar experiência.

Isso comprova que os espanhóis não vão se render ao futebol de correria. Eles acreditam no futebol-arte e com ele estão ganhando tudo. E o Brasil? Continua pensando em velocidade e força. Assim qualquer vitória em torneios secundários é motivo de muita festa.