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Cada época teve o seu ‘Pelé’

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pelé é único e singular. Messi o seu herdeiro atual.

É perda de tempo querer comparar Pelé com qualquer outro jogador. Para começar o Rei fazia jogadas geniais quando não existia nada igual. Pelé foi único, singular, mas depois com certeza alguns jogadores ocuparam o seu lugar.

Também não vejo maiores desafios em apontar os seus herdeiros, sempre respeitando a época. Depois de Pelé, vieram Cruijff (anos 70), Maradona (80), Zidane (90) e nos anos 2000, Lionel Messi. Poderia citar também Zico e Platini, mas brilharam na mesma época de Maradona, o argentino ganhou uma Copa e eles não.

Se somar os talentos e virtudes de todos o resultado final é igual a … Pelé. Por isso não há discussão. Nos anos 70, Cruyjff maravilhou o mundo comprovando que o craque também é participativo. Articulava jogadas, fazia gols e com brilhantismo técnico liderava a “Laranja Mecânica”.

Maradona deslumbrou o mundo pelo talento, velocidade e força. Já o francês Zidane encantou por jogar um futebol refinado e inteligente. Finalmente Messi, em parte lembra Maradona: velocidade, dribles desconcertantes e jogadas criativas.

Sem modismo ou marketing esses foram os maiores craques geniais do futebol mundial. O restante é papo para gerar discussão e fomentar o choque de opiniões. O meu avô dizia, não adianta “reinar” tem que engolir: são dois argentinos para um brasileiro. Resta rezar por Neymar para igualar.

Parreira: Barcelona, uma escola de 30 anos. É inimitável

segunda-feira, 18 de abril de 2011
Cruyjff

Em 1973, Cruijff já comandava em campo o Barça.

 Apesar de todas as conquistas e estar entre os principais técnicos brasileiros de todos os tempos, Carlos Alberto Parreira nunca recebeu o reconhecimento merecido.  Em entrevista à ESPN Brasil comprovou todo o seu conhecimento: “Não adianta qualquer time do mundo querer imitar o jeito de jogar do Barcelona. Não conseguirá. O Barcelona é uma escola de 30 anos. Este é o tempo para conseguir atingir este nível e precisa trabalhar bastante”. Isso me fez refletir e pesquisei detalhadamente a história destes 30 anos.

Qual é a base do futebol do Barça?  Como tudo começou? O mais afobadinho vai dizer: a escola brasileira, afinal Giovanni, Rivaldo, Romário,Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho brilharam por lá e fizeram história. Que nada, estes brasileiros deram apenas uma pitada de técnica e qualidade. O Barcelona foi forjado na mais pura escola holandesa. Foram 30 anos assimilando o futebol-arte e competitivo dos holandeses. Até então os espanhóis tinham um futebol de força e muita garra. O diferencial foi a grana: Espanha sempre teve muito dinheiro, diferente da Holanda.

Em 1988, como técnico, implantou de vez a escola holandesa.

 Tudo começou com a contratação de Johan Cruijff em 1973, o maior craque holandês e certamente está entre os cincos melhores do mundo de todos os tempos. Em 1974, chegou o fenomenal, Neekens. O Barça contratou o cérebro e o pulmão – Cruyjff e Neeskens- do “carrossel holandês” que maravilhou o mundo na década de 70. A semente estava plantada. Depois seguiram mais holandeses: Reizger, Bogarde, Overmars, Frank de Boer, Cocu entre outros.

Antes disso, em 1988, Cruyjff volta ao clube como técnico, alicerçando de vez a escola holandesa no Camp Nou. Nos anos seguintes, mais dois técnicos holandeses deram prosseguimento: Van Gaal e Rijkaard.

Até então o Barcelona era uma legião de estrangeiros, mas nas divisões de base já se “produzia” jogadores espanhóis com as características táticas e técnicas dos holandeses. O coroamento desse trabalho a longo prazo surgiu nos últimos cinco anos, com o clube catalão encantando o mundo com um futebol competitivo e talentoso. Se nas décadas de 70, 80 e 90 era um legião de holandeses, brasileiros, argentinos ( entre eles Maradona), romenos e outras nacionalidades, hoje tem a base de espanhóis.

Na temporada 2010/2011, o elenco com 31 jogadores é composto por 21 espanhóis, 3 brasileiros – os laterais Daniel Alves, Adriano e Maxwell, 3 argentinos, e com um jogador, França, Holanda,Camarões e México. No time titular, 7 são catalães, casos de Valdés, Puyol, Piqué, Xavi, Iniesta, Busquets e Villa. O Barça está colhendo aquilo que plantou em 30 anos, com muito mérito e competência: o verdadeiro futebol-arte vencedor.