O futebol paranaense peca por ser acomodado e pensar de maneira muito conservadora. Altamente conservadora. É a cultura do povo paranaense, não arriscar. Acontece que no futebol quem não arrisca não consegue atingir grandes vitórias. O marketing existe para isso: projetar o clube e ter grandes objetivos, mas o produto tem que ser bom. Não existe marketing que sobreviva ao produto mediano. Os resultados também serão de médios ou regulares. A dupla Atletiba está na elite do futebol brasileiro, mas não se comporta como tal.
Quando aparecem as dificuldades, prevalece o poder de criatividade. Outro dia ouvindo os meus colegas e amigos da Rádio Banda B ou da CBN do mestre Xavier, não me lembro, mas são as duas rádios que acompanho e gosto, ouvi uma notícia de que o diretor do Coritiba, Vilson Ribeiro tem um projeto para conseguir 25 mil sócios. Ótima iniciativa e é um caminho correto, Inter e Grêmio já passam de 100 mil. O problema é que dentro do espírito desconfiado do paranaense, não se investe naquilo que não tem certeza.
Por isso coloco aqui uma ideia para os departamentos de marketing da dupla Atletiba. Vamos observar as últimas ações dos clubes brasileiros. O São Paulo, clube pragmático e com os pés no chão nas últimas décadas, não fazia grandes investimentos. Mudou radicalmente ao contratar Luis Fabiano. O Flamengo tem Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves, o Inter, D’ Alessandro, o Cruzeiro, Montillo e assim por diante. Os clubes têm no mínimo uma referência como craque. Como percebe-se em todos os Estados da Série A os clubes tem pelo menos um craque, nem falo daqueles clubes que sobem e já caem no ano seguinte.
A dupla Atletiba não pode fugir disso.A sugestão é simples: criar o “Craque Ouro”. A proposta é buscar 25 ou 30 mil torcedores, nem estou falando de sócios (também poderiam participar) que paguem um carnê de 10 reais mensais por 12 meses, ou seja, 120 reais por ano (boleto bancário etc… e tal para o clube ter segurança). O objetivo da contribuição é pagar o salário de 250 a 300 mil reais por mês de um jogador de primeira linha. A contribuição será exclusivamente para pagar o salário deste jogador. Tenho absoluta convicção que mesmo aquele torcedor de classe média estará disposto a dar estes 10 paus por mês. E para investir na contratação, três patrocinadores de grande porte que certamente estarão dispostos a investir num jogador de qualidade. Dá retorno de mídia e de exposição.
Para quem acha que a faixa de 250 ou 300 mil é pouco, D’Alessandro ganha 300 mil no Inter, Guiñazu fatura 180 mil, Montillo no Cruzeiro, 180 mil. Um salário nesse patamar pode contratar jogadores deste nível que representariam renda e com certeza, respeito de adversários e da imprensa nacional. Loco Abreu ganha 220 mil no Botafogo. O resto do time é mediano, mas Abreu impõe status ao clube da estrela solitária, inclusive cai bem, porque Loco é a única mesmo.
Caso o projeto atingisse o objetivo desejado, porque não o “Craque Ouro” 2, mais um jogador. Tenho certeza que as galeras de Coritiba e Atlético não negariam fogo e pagariam 20 reais por mês para ter dois jogadores de alto nível. Vale o antiqüíssimo ditado: quem não cria e arrisca, não petista. Tenho convicção que com dois craques e um elenco de ótima qualidade com opções no banco, os nossos clubes estariam na briga da Libertadores e até do título nacional.